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Disfunção Erétil Tem Cura?

Por Dr. Bruno Hurtado Rodrigues · 19 de Junho de 2026
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A disfunção erétil é uma das queixas mais comuns no consultório de urologia. Estima-se que ela afete mais de 50% dos homens acima dos 40 anos em algum grau. Apesar de ser tão frequente, ainda é cercada de vergonha, silêncio e desinformação.

A resposta à pergunta do título é: SIM, a disfunção erétil tem tratamento eficaz em qualquer estágio. Veja o que a ciência diz.

O que é disfunção erétil?

A disfunção erétil é definida como a incapacidade persistente de ter ou manter uma ereção suficiente para uma atividade sexual satisfatória. O termo "persistente" é importante: ter dificuldade esporádica é normal e não caracteriza a condição.

Segundo a European Association of Urology (EAU), o diagnóstico é feito quando o problema ocorre em pelo menos 70% das tentativas por um período mínimo de 3 meses.

Quais são as causas?

A disfunção erétil muitas vezes tem causa estritamente psicológica. Todas as disfunções sexuais têm um fundo psicológico que merece atenção e tratamento. Em muitos casos de homens acima de 50 anos, há uma causa orgânica associada — e frequentemente ela é um sinal de alerta para problemas cardiovasculares.

Causas vasculares (as mais comuns)

Causas hormonais

Causas neurológicas

Causas psicológicas

Medicamentos que podem causar disfunção erétil

Disfunção erétil como sinal de alerta cardiovascular

Este é um ponto fundamental: a disfunção erétil pode ser o primeiro sinal de doença cardiovascular. As artérias do pênis são bem mais finas que as coronárias, e por isso são afetadas primeiro pela aterosclerose.

Estudos mostram que homens com disfunção erétil têm risco significativamente maior de infarto e AVC nos anos seguintes. Portanto, quando um paciente chega ao consultório com essa queixa, sempre devemos investigar o coração.

Como é feita a avaliação?

A consulta inclui histórico clínico completo, exame físico e exames laboratoriais:

Em casos selecionados, pode ser indicado o ultrassom com Doppler peniano com teste de farmacoindução, que avalia o fluxo sanguíneo do pênis.

Quais são os tratamentos disponíveis?

Mudanças no estilo de vida

Parar de fumar, praticar exercícios, perder peso, controlar o estresse e ter uma boa higiene do sono podem melhorar significativamente a função erétil, especialmente em casos leves a moderados. Além disso, deve-se controlar doenças como a hipertensão e o diabetes.

As mudanças no estilo de vida são fundamentais e devem ser mantidas em todas as etapas do tratamento.

Medicamentos orais (inibidores da PDE-5)

São a primeira linha de tratamento segundo as diretrizes da EAU. Os mais conhecidos são a sildenafila (Viagra) e a tadalafila (Cialis). Têm eficácia em cerca de 70% dos casos e são seguros para a maioria dos homens.

Tratamento hormonal

Quando a causa é testosterona baixa, a reposição hormonal pode resolver completamente o problema, além de melhorar disposição, libido e qualidade de vida.

Ondas de choque de baixa intensidade

Tratamento não invasivo que estimula a neovascularização (formação de novos vasos) no tecido peniano. Indicado especialmente para casos de causa vascular. Apresenta resultados modestos e geralmente é um tratamento complementar.

Injeção intracavernosa

Consiste na aplicação de medicamento vasodilatador diretamente no pênis antes da relação, através de injeção direta. Altamente eficaz mesmo quando os comprimidos não funcionam, e pode também ser usado como primeira linha no tratamento da disfunção erétil.

Prótese peniana

Indicada para casos refratários a outros tratamentos. É uma cirurgia com alta taxa de satisfação — acima de 90% — tanto do paciente quanto da parceira.

E os casos psicológicos têm cura?

Sim. Quando a causa é predominantemente psicológica — como ansiedade de desempenho, depressão ou conflitos de relacionamento — o tratamento com sexólogo ou psicólogo especialista em terapia sexual, muitas vezes combinado com medicação oral, apresenta excelentes resultados em médio e longo prazo.

Conclusão

A disfunção erétil tem tratamento eficaz para a grande maioria dos homens. O segredo está em não deixar o problema evoluir em silêncio e procurar um especialista para identificar a causa.

Além de recuperar a vida sexual, o tratamento pode revelar problemas cardiovasculares ainda não diagnosticados — e isso pode literalmente salvar vidas.


Referências: EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, 2024 · ISSM Guidelines on Erectile Dysfunction, 2023 · AUA Guidelines on Erectile Dysfunction, 2023.

Ficou com dúvidas? Agende uma consulta com o Dr. Bruno Hurtado em São Paulo.

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Dr. Bruno Hurtado Rodrigues — Urologista em São Paulo, especializado em uro-oncologia, cirurgia robótica e medicina sexual masculina. Mestre em oncologia pelo AC Camargo Cancer Center. CRM-SP 139.902 | RQE 55.410.