A disfunção erétil é uma das queixas mais comuns no consultório de urologia. Estima-se que ela afete mais de 50% dos homens acima dos 40 anos em algum grau. Apesar de ser tão frequente, ainda é cercada de vergonha, silêncio e desinformação.
A resposta à pergunta do título é: SIM, a disfunção erétil tem tratamento eficaz em qualquer estágio. Veja o que a ciência diz.
A disfunção erétil é definida como a incapacidade persistente de ter ou manter uma ereção suficiente para uma atividade sexual satisfatória. O termo "persistente" é importante: ter dificuldade esporádica é normal e não caracteriza a condição.
Segundo a European Association of Urology (EAU), o diagnóstico é feito quando o problema ocorre em pelo menos 70% das tentativas por um período mínimo de 3 meses.
A disfunção erétil muitas vezes tem causa estritamente psicológica. Todas as disfunções sexuais têm um fundo psicológico que merece atenção e tratamento. Em muitos casos de homens acima de 50 anos, há uma causa orgânica associada — e frequentemente ela é um sinal de alerta para problemas cardiovasculares.
Este é um ponto fundamental: a disfunção erétil pode ser o primeiro sinal de doença cardiovascular. As artérias do pênis são bem mais finas que as coronárias, e por isso são afetadas primeiro pela aterosclerose.
Estudos mostram que homens com disfunção erétil têm risco significativamente maior de infarto e AVC nos anos seguintes. Portanto, quando um paciente chega ao consultório com essa queixa, sempre devemos investigar o coração.
A consulta inclui histórico clínico completo, exame físico e exames laboratoriais:
Em casos selecionados, pode ser indicado o ultrassom com Doppler peniano com teste de farmacoindução, que avalia o fluxo sanguíneo do pênis.
Parar de fumar, praticar exercícios, perder peso, controlar o estresse e ter uma boa higiene do sono podem melhorar significativamente a função erétil, especialmente em casos leves a moderados. Além disso, deve-se controlar doenças como a hipertensão e o diabetes.
As mudanças no estilo de vida são fundamentais e devem ser mantidas em todas as etapas do tratamento.
São a primeira linha de tratamento segundo as diretrizes da EAU. Os mais conhecidos são a sildenafila (Viagra) e a tadalafila (Cialis). Têm eficácia em cerca de 70% dos casos e são seguros para a maioria dos homens.
Quando a causa é testosterona baixa, a reposição hormonal pode resolver completamente o problema, além de melhorar disposição, libido e qualidade de vida.
Tratamento não invasivo que estimula a neovascularização (formação de novos vasos) no tecido peniano. Indicado especialmente para casos de causa vascular. Apresenta resultados modestos e geralmente é um tratamento complementar.
Consiste na aplicação de medicamento vasodilatador diretamente no pênis antes da relação, através de injeção direta. Altamente eficaz mesmo quando os comprimidos não funcionam, e pode também ser usado como primeira linha no tratamento da disfunção erétil.
Indicada para casos refratários a outros tratamentos. É uma cirurgia com alta taxa de satisfação — acima de 90% — tanto do paciente quanto da parceira.
Sim. Quando a causa é predominantemente psicológica — como ansiedade de desempenho, depressão ou conflitos de relacionamento — o tratamento com sexólogo ou psicólogo especialista em terapia sexual, muitas vezes combinado com medicação oral, apresenta excelentes resultados em médio e longo prazo.
A disfunção erétil tem tratamento eficaz para a grande maioria dos homens. O segredo está em não deixar o problema evoluir em silêncio e procurar um especialista para identificar a causa.
Além de recuperar a vida sexual, o tratamento pode revelar problemas cardiovasculares ainda não diagnosticados — e isso pode literalmente salvar vidas.
Referências: EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, 2024 · ISSM Guidelines on Erectile Dysfunction, 2023 · AUA Guidelines on Erectile Dysfunction, 2023.
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Agendar pelo WhatsAppDr. Bruno Hurtado Rodrigues — Urologista em São Paulo, especializado em uro-oncologia, cirurgia robótica e medicina sexual masculina. Mestre em oncologia pelo AC Camargo Cancer Center. CRM-SP 139.902 | RQE 55.410.